Textos

Um novo amanhã.

Às vezes perdemos o controle de tudo o que temos e quanto mais temos mais temos a perder. Agarramos tudo como uma corda que puxamose. Temos que puxar mas ao mesmo tempo abre feridas nas mãos, rasga a pele, como nos rasga a nós, por dentro. Até ao dia em que a única solução é largar a corda, baixar os braços cansados e desistir.

E não há culpados, não há distraídos, não há mais nada a fazer. É uma bola de neve, que começa pequena e no mesmo momento se torna gigante a cada segundo que passa. Todas as pequenas situações se tornam situações gigantes e nós cada vez mais pequeninos. Às vezes o foco nem está no problema, mas em nós, em nos sentirmos tão pequeninos num mundo gigante aos nossos olhos. Perdemos o rumo, perdemos o motivo e deixamos de crer que existe amanhã. Na maioria das vezes vamos dormir, culpando o trabalho ou o tempo, mas apenas com a esperança de não acordar mais.

O quarto escuro onde entramos torna se o nosso porto seguro e a luz passa a ser o bicho aterrorizante. Como tudo depende da perspetiva, uns dizem “ah não ligues, coisa pouca” mas nunca sabemos o olhar do outro, em que medida é pouco ou demasiado ao outro.

O segredo de ajudar não é querer salvar o mundo, perguntar todos os dias como alguém está, forçar ou massacrar. Às vezes só é preciso ficar em silêncio, suportar um corpo cansado nos nossos ombros, ensinar a voar de novo. Mas acima de tudo nos colocarmos do outro lado do espelho, pensarmos que o mundo não se move apenas em torno do que nós acreditamos ou do que nós decretamos como muito ou pouco relevante. O silêncio é o pior inimigo do ser humano, mas a pressão é quem acelera o processo do fim.

Fica, fica atento, fica por perto, fica e mostra que ficas, mesmo quando tens que voltar para casa. Mas ampara todas as quedas, sara as feridas, vai doer mas vai atenuar, quem sabe passar. Não faz mal em gostares do escuro, da noite e do fim, mas todos os dias terminam em noite e na manhã seguinte a lua cede de novo lugar ao sol.

O sol e a lua ensinam-nos que não se trata de uma batalha, entre a luz e o escuro, o sol e a lua, a vida ou a morte, às vezes é só saber aceitar cada fase, cada momento como um mau momento e acreditar sempre que existe um novo amanhã, uma nova oportunidade, uma nova tentativa de ser feliz.

Podemos ser apaixonados pela lua, pela noite e saber viver à luz do dia, temos que aceitar tudo tal e qual é. E quando não acreditares em mais nada agarra-te às estrelas, a maioria das pessoas chamam-lhes de amigos ♡︎

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