Foto: Kipras Štreimikis / Unsplash
Textos

A soma de tudo.

Num acaso que não sei precisar, algo foi esquecido, repetidamente, deixando tudo num redondo vazio. A soma dos nossos dias se subtraía cada vez mais. Os afetos pareciam não morar mais em nós, o respeito era evitado e as conversas substituídas por silêncios inquietantes. A nossa casa foi rapidamente se tornando silenciosa e isenta de amor.

A soma de tudo foi esmagadora: não restava mais nada, além de dois corpos vagueando num apartamento, evitando-se e fingindo não se conhecerem e não se esbarrarem. Tudo o que nos restou foram os sonhos perdidos e o tempo desperdiçado. Fomos um fogo que ardeu breve, extinguindo-se aos poucos, ficando cada vez mais reduzido, até só restarem cinzas gélidas de tudo o que foi um dia, a nossa vida.

O outro lado oposto do amor é frio e desolador. O outro lado é apenas formado pela dor de não sentir o que antes sentíamos; o abandono do que nos fazia feliz; a insistência que mantivemos ao ignorar a destruição à nossa volta. O pior lado do amor é quando ele nos falta, deixa de nos pertencer e se extingue, tão rápido como se acendeu. De tudo, a única coisa que guardo é o amor que ficou por dar quando mais fazia sentido entregá-lo.

No final de contas, a soma e a subtração de tudo se baseia no quão dispostos estamos a nos atirar de cabeça, loucamente, em alguém; no amor destemido que não guaramos para quando houver coragem. É isso que faz toda a diferença. Agora é tarde para somar de novo.

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