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Reflexão Textos

(a) mar ♡︎

Quantas vezes nos questionamos se estamos no caminho certo? Se queremos mesmo continuar a andar ou se devemos parar, abrandar, mudar de direção. Quantas vezes nos questionamos se a paisagem que queremos ver é mesmo esta, este momento onde estamos agora, seja plano ou acaso.

Há dias em que o lugar certo parece completamente errado. Há dias em que qualquer lugar é casa, é destino. Vivemos na confusão de uma mente desarrumada e tão incerta como a chuva que bate na minha janela (e foi nela que me inspirei). Mas quero dizer-te que está tudo certo, mesmo quando tudo parece errado, mesmo quando a tua blusa favorita parece não servir mais, o abraço não encaixa mais e a paisagem desvanece nas nuvens escuras que preenchem o horizonte.

Só escrevo para te dizer aquilo que precisas de ouvir. E acredita que sei o que vai na tua mente, decorei depois de ouvir tantas vezes, os gritos, os silêncios e os sufocos. Parece que nunca mais vais parar de tremer, de temer. Parece que nunca mais vais conseguir chegar ali, o ali que consegues ver mas parece intocável. Mas oi, tu vais chegar lá, ultrapassar e o lugar que hoje parece inalcançável, nesse dia vai ser tão pequenino ao teu lado de tão gigante como vais ser. Só não deixes de seguir o teu coração, de acreditar, de amar. Não há melhor resposta a todas as perguntas que o amor. O próprio, o de alguém ou para alguém. Não te resumas, não te minimizes. Empresto-te os meus olhos para te veres, mas se não fores tu a querer nunca te vais ver de verdade.

Procura a paisagem certa no meio de toda a tempestade, no mar revolto ou sereno, na manhã ou no final do dia, no encontro do sol ou da lua. Mas procura-te para te encontrares seja em que lugar for. Ouve-te, permite-te, ser gigante. Senta-te e no silêncio silencia os berros, desacelera o batimento cardíaco, preenche as mãos de areia para não haver tremor, preenche a alma de água salada para não haver temor. E enche-te de ti para não haver mais espaço vazio, apenas amor e escuta: a melhor canção está nas ondas do (a)mar.

E se perceberes que tudo está errado, desarrumado ou fora do lugar? Muda, esvazia, larga tudo, arranja espaço. Deixa ir o que não cabe mais, não te liberta mais, não te leva mais longe. Porque se não te leva a lado nenhum, não faz mais falta. Nem sempre sabemos se o que queremos nos faz bem, mas abranda o passo e vais perceber se é isso que queres. Ouve-te e todas as respostas vão estar dentro de ti.

Dá o que não te serve mais, doa o que servirá a outros, deixa ir o que não te faz mais falta, põe no lugar o que queres guardar e nunca te esqueças de deixar espaço para ti. Agora sim, deixa ir num barquinho de papel tudo aquilo que não cabe mais em ti e quem sabe alguém irá receber num outro porto. Não deixes ninguém nem nada preso a ti apenas porque um dia chamaste teu, deixa ir para tu ires também e quem sabe um dia se encontrem numa praia qualquer. Por acaso ou no acaso da vida.

Mas agora vamos para casa, amanhã começa o verão e ainda há um guarda-roupa para renovar.

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