Se for para relembrar que seja o sorriso. O cheiro que guardo na minha camisola do último abraço. O beijo com sabor a pastilha elástica, a café da manhã, ou aquele após o almoço. Se for para relembrar que seja a maresia dos finais de tarde ao pôr-do-sol, daquela praia onde ainda perdura o verão. O cheiro a pipocas daquela vez que fomos ao cinema, onde demos a mão e nem me lembro do nome do filme. Se for para relembrar que seja do beijo ao regressar a casa nas noites frias de outono, ou nas manhãs quentes, nos finais de dia entre a correria de te ter nos meus braços. Se for para relembrar que seja num abraço, para revivermos em conjunto, enquanto nos envolvemos no presente. Presente que não traz laço, onde não preciso de gastar papel.
Chega aquela altura do ano em que andamos a correr todos os sites da internet, todas as lojas do centro comercial e todas as secções do pinterest. Procuramos o melhor presente e entre mil títulos e mil filtros, entre o mais barato (porque as finanças estão reduzidas), os melhores DYIS, o mais original. Queremos oferecer o mundo inteiro e mal sabemos nós que há mundos que se oferecem diariamente. Vamos reduzir, reduzir a procura. Valorizar as pequenas coisas da vida, os pequenos gestos, os pequenos presentes que a vida nos oferece e que podemos retribuir às pessoas que amamos.
Este ano, não vou oferecer uma flor, se posso oferecer um passeio de mãos dadas pelo jardim inteiro. Não quero dar uma concha, se o mar inteiro não chegava. Não quero oferecer uns phones, se posso tocar uma música na guitarra, desafinada mas com amor. Não quero oferecer um livro, se posso escrever a história e conta-la de cor antes de adormecer. Não quero oferecer chocolates, se posso fazer bolachas com a pessoa e sujar-lhe a cara de farinha. Não quero oferecer um carro, se o que importa da viagem é a viagem e jamais o destino.
Por isso, vamos minimizar, vamos oferecer o nosso melhor lado, entrelaçado num abraço, em palavras bonitas declamadas num beijo prolongado. Com cheiro a flores ou maresia daquela praia favorita. Ou cheiro a chocolate quente, cappuccino ou aquele café que está atrasado. Aquelas bolachas que sabem a casa, abraço-casa. Deixa as prendas caras para outra altura, porque agora o mundo precisa de amor, amizade e calor. Por isso, sê calor nesta época tão fria, acende a fogueira no coração de alguém, com cheiro a rabanada, e deixa na meia pendurada na lareira.
Olá, eu sou a Ariana e tenho 22 anos. Sou de Braga e frequento a universidade no Porto. A escrita não precisa de mim mas eu preciso de escrever. Desde daquele diário azul que tinha quando comecei a escrever na primária até aos dias de hoje a escrita foi acompanhando a minha vida. A escrita criativa e narrativa como área de conforto mas com as portas abertas a novas aventuras a escrita faz parte do quotidiano e do meu eu.


