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7 tradições de Natal.

O Natal é das únicas celebrações familiares, em que não arranjo desculpas para não comparecer. Na minha família, desde que me lembro por gente, existem tradições que não se perdem por nada e o Natal é das mais importantes. Como tal, no dia 23, rumamos todos à casa da nossa avó (no meu caso, materna) e nos preparamos para um dos “eventos” que mais gostamos.

Confesso: baldo-me a todos os aniversários (principalmente, os dos miúdos) — menos os dos meus avós—, aos jantares por conveniência e ao almoço da Páscoa. Mas, Natal é sagrado e as nossas tradições fazem com que seja a minha festividade preferida.

Sendo que somos uma família de 18 pessoas, sendo 10 avós e pais, 4 netos (e a namorada do mais velho) entre os 18-24 anos e 3 netos entre os 2-10 anos, temos as mais variadas tradições destinadas a cada um dos grupos.

Trago-vos, portanto, 6 de umas tantas tradições de Natal, que temos:

  1. A ceia de Natal tem início às 20:00h, em ponto. Sem atrasos para retocar a maquilhagem ou trocar fraldas (que graças a Deus, os miúdos já não usam!). Tratamos de todos os pratos, organizamos a mesa, tudo atempadamente, para que nada falhe. A família une-se. Fazemos as entradas, a sopa, os pratos, as sobremesas e os miúdos confecionam biscoitos de manteiga e/ou gengibre. Isto faz com que a família cante, dance, conte piadas, fale de histórias e de memórias, esteja mais unida. É este o espírito de Natal e o que de mais sagrado há.
  2. Os netos têm a tarefa de pôr a mesa. Tiramos com todo o cuidado e olhar atento da avó Eduarda, o seu conjunto favorito com fio de ouro. Sem desculpas. Até os mais pequenos ajudam com os guardanapos e os talheres. Todos os anos, tentamos fazer uma decoração diferente na mesa, usando os mais variados enfeites disponíveis e esta é sempre a minha parte favorita.
  3. A entrada é sempre camarão frito com manteiga e alho. E isto, não falha, meus caros. É que não pode falhar mesmo! O camarão é cortado ao meio, ainda congelado, colocado na frigideira bem quente e untamos o mesmo com manteiga derretida e bastante alho. Uma delícia! (Deixamos o camarão para cozinhar no fim, visto que preferimos comê-lo quente.)
  4. Na ceia de Natal é obrigatório haver peru. É o prato principal. Existem vários acompanhamentos, outros pratos, como o arroz de pato do avô Berto e o cozido de bacalhau. Mas peru é peru! E sem ele, a ceia de Natal não é igual.
  5. As crianças (até aos 18, porque assim quiseram os nossos avós) retiram-se sempre às 22:45h, para descansarem um pouco. Os adultos permanecem acordados, cuidando da louça, limpando a mesa e a sujeira, e no final, juntamo-nos à volta da lareira, jogamos xadrez e damas e tomamos vinho do Porto. Os netos, geralmente, optam por um whiskey ou licor, que inclusive, cada filho (neste caso, a minha mãe, por exemplo) tem de trazer obrigatoriamente.
  6. 00:00h e sem mais nenhum minuto, acordamos os mais novos e trocamos os presentes de Natal. Antes de abrirmos, a nossa avó tem por hábito falar-nos sobre gratidão e família. O discurso nunca é igual. Acreditem, já o gravei durante 3 anos e verifiquei que apesar de haver as mesmas palavras-chave, a lição é sempre diferente. Após o discurso, os mais novos distribuem as ofertas e são os primeiros a abri-las. O entusiasmo dos mesmos é absolutamente amoroso e aquece o coração. São eles também, a alegria desta época. E é bom poder reencontrá-los, a cada ano, mais maduros, mais conscientes e inteligentes. Assim que a troca termina, vamos todos deitar-nos.
  7. Dia 25 é dia de dizer adeus. Ao pequeno almoço comemos sempre os biscoitos que os mais novos fizeram. Ao almoço e jantar aproveitamos a comida da ceia. Nada é desperdiçado. Passamos o dia a ver filmes natalícios, jogando os mais variados jogos e claro, preparamos as malas para regressarmos à nossa rotina. Neste dia, após o jantar, despedimo-nos mais uma vez e abandonámos a casa dos avós.
Reinventar/Reutilizar: uma iniciativa que poderá vir a ser uma tradição, na próxima geração. 

De todos os Natais, o presente mais original que recebi, foi do meu primo, o ano passado, de 9 anos. Há uns tempos, deixara na casa da minha avó uma camisola que infelizmente ficou com uma nódoa. A nódoa era impossível de tirar e como tal, passado uns dias pedi à minha avó que a colocasse no lixo. O miúdo, que passa mais tempo lá do que na sua própria casa, devido à profissão dos meus tios, achou uma barbaridade colocar uma camisola nova para o lixo devido a uma nódoa.

Nunca soube, obviamente, até encontrá-la ao abrir o presente que me deu. Encontrei-a, com a nódoa coberta por recortes, missangas e fitas. Uma camisola preta, que ganhara cor e, deixem-me que vos diga: está genial! Quando ia agradecê-lo, disse-me o seguinte: Prima, o ambiente sofre sabes? Não deites roupa nova no lixo. Transforma-a. Espero que tenhas gostado. Usei materiais que avó tinha. Abraçou-me e sentou-se, deixando-me estupefacta. As crianças sabem tanto e nós nem sempre, lhes prestamos a atenção devida. O miúdo, de apenas 9 anos deu-me uma grande lição no Natal passado e desde aí, nunca mais consegui deitar uma peça fora (a não ser que esteja em mesmo muito mau estado).

Nunca fui consumista, mas andava com o pensamento de “Estragou-se? Compra-se outra”, quando existe quem não tenha a mesma sorte ou possibilidade. Ele nem precisou de gastar dinheiro, com a minha oferta. E se vos disser, que não gastou em nenhuma?

Os miúdos da nossa família, estão a fazer algo que a minha geração não fez: reinventar, fazer do velho algo novo. Surpreendentemente, têm-nos encantando com os seus presentes originais. E acho isto tão importante! Ensinar os mais pequenos que o Natal também é isto: darmos algo que foi feito com as nossas mãos, com o nosso esforço e mérito. Não é sobre quem dá a oferta mais cara, mas sim quem nos dá a mais marcante, a mais original, a que foi feita com o coração. É o amor que pomos nas coisas que fazemos, que muda tudo. E é o que importa.

Que tradições têm no Natal? Um Feliz Natal!🎅

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