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Textos

apenas memórias.

O tempo escapa-nos, escasseia, devora e faz desaparecer tudo o que de bonito houve. O tempo arrastou-nos, separando-nos pelo caminho, para sítios diferentes.

Mentiria se dissesse que não chorei cada vez que pensei no que podíamos ainda ter vivido. Mentiria se dissesse que já fazes parte do meu baú de recordações. Estás presente em cada esquina, em cada flor que colho, em cada decisão que tomo. A única coisa que o tempo não levou foi este meu amor por ti.

Ainda sinto no rosto os beijos que me davas sempre, antes de partires na tua bicicleta. Ainda me demoro a ver o pôr-do-sol e esqueço-me das horas de voltar para casa. Dizem que viver é melhor do que sonhar, mas vivo perdida nos meus sonhos pois só neles te encontro.

Queria poder perder-me nos teus braços, enquanto cantasses baixinho, onde tudo parece ser pequenino e descomplicado. Esconderam a tua morada, o teu olhar, os teus abraços e a tua melodia. Há dias em que não me lembro da tua voz e quanto mais me esforço, mais ela corre para longe de mim.

É difícil encontrar-te, quando tantos anos já nos marcam a pele, quando ainda nos meus sonhos continuas aquele miúdo pelo qual me apaixonei. Tenho medo que o tempo leve a pouca memória onde ainda vives, pois seria insuportável, não saber a cor dos teus olhos, a maciez do teu cabelo, as sensações dos teus toques e as melodias que tantas vezes, cantaste somente para nós.

Será que ainda te recordas de mim, da mesma forma? Será que fui especial para ti, da mesma forma que foste para mim? A verdade é que o que um dia nos separou, jamais nos juntou. Hoje, são apenas memórias, de um tempo, que tudo o vento levou.

da miúda que amavas.

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