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Lifestyle Reflexão

Novo confinamento: sobre saídas de emergência, distâncias e mais teletrabalho.

Há uns dias, no trabalho, diziam os meus colegas em jeito de brincadeira/agoniados, que iríamos estar fechados mais uma vez. Na altura, os números não estavam tão graves quanto agora e quis acreditar que novo confinamento não era uma hipótese, devido às pessoas estarem saturadas, os negócios não conseguirem aguentar-se e a economia estar a afundar-se cada vez mais. E não é que tinham todos razão?

A empresa onde trabalho, felizmente, não entrou em lay-off, como tantas as outras que não aguentaram, na primeira vaga da pandemia. Neste novo confinamento, foi-nos assegurado de que tudo se manteria, até porque o crescimento da empresa continua a ser o mesmo, mesmo com a difícil situação que mundialmente vivemos. Não foram necessários despedimentos, nem reajustamentos. Aliás, continuamos com a mesma carga de trabalho em casa, como no escritório.

Criamos um sistema, no grupo de vendas, para não nos deixarmos ir abaixo e estamos a implementar a mesma, no teletrabalho de agora.

O sistema que nos ajudou a não cair em depressão, durante o teletrabalho, foi estarmos todos ligados no Zoom, sem que houvesse vídeo (por parte e escolha de alguns) e que discutíssemos e debatêssemos todas as nossas tarefas, tal como é feito no dia a dia, no escritório. Tivemos piadas, como é usual, discutimos, falamos por 10 horas, durante o trabalho e mantivemos-nos unidos e motivados, para cada dia em casa, a trabalhar. Repentinamente, alguém nos lembrava de lanchar ou de que eram horas de almoço. Foi uma agradável surpresa na primeira vaga, que decidimos manter, pois só assim faz sentido.

Nas primeiras semanas de teletrabalho, em 2020, demorei a ganhar coragem. Acordava esgotada mentalmente, o meu corpo arrastava-se para a mesa da cozinha e passava os dias a mandar e-mails e a recebê-los de forma frenética, a concluir vendas, a separar uma data de papelada e a organizar todas as minhas tarefas pendentes. Andava sem ânimo. A verdade era mesmo essa. A cada dia, levantar tornava-se um suplício. Só queria acordar quando tudo estivesse acabado.

Na conversa com um colega, desabafei sobre o quão desgastante estava a ser trabalhar a partir de casa, onde na maioria dos dias nem comia, nem me lembrava de parar, senão para tomar banho, murmurei que fazia-me falta a energia contagiante dos outros, das brincadeiras, dos cafés inesperados. E, assim ficou decidido, TODOS NO ZOOM.

Saídas de emergência e ataques de pânico.

Demorei a necessitar de mantimentos em casa, pois pouco ou nada ingeria, mas quando começou a faltar, foi toda uma tarefa de mentalizar-me de que era necessário sair de casa e ir ao supermercado.

A primeira saída foi caótica. O meu carro não acendia de maneira nenhuma (se estiverem em casa, lembrem-se de ligar o carro e aquece-lo porque senão ficam como eu!), tive de pedir ajuda a um vizinho e quando o tempo permitiu, fui armada de máscara e luvas para a fila caótica do supermercado.

Pânico
!
As mãos tremiam-me porque havia quem não guardasse distância, pessoas com as máscaras mal postas e do nada, fazer compras — algo tão banal e normal —, se torna um autêntico pesadelo.

A falta de respeito das pessoas foi gritante. A humildade faltou a muitas. Vi brigas por causa de papel, devido a fruta, como se o mundo fosse desabar sobre as nossas cabeças. O supermercado pareci-me um labirinto, pois em cada corredor haviam pessoas e por mais que quisesse encontrar saída, todos os inícios e fins pareciam-me iguais.

Desinfetar tudo. T-U-D-O. Todas as compras desinfetadas, banho tomado, máscara e luvas no lixo e pude relaxar. O meu corpo ficou em estado de stress, comprimido, esgotado, em apenas 1 hora. Foi aqui que me deu o click! Foi aqui que percebi que estávamos a correr contra o tempo e que nada estava nas nossas mãos.

As saídas passaram a ser só em casos de emergência elevada e mesmo sem confinamento, continuei da mesma forma. Passei o Natal com a família, com a certeza e segurança de que não estava infetada. Na empresa fizemos/fazemos testes, regularmente, todos, no meu caso, negativos e só assim me fez sentido passar uma festividade com a família, pois havia um risco menor. Porque, não é por ter tido negativo, que os riscos desaparecem. Eles continuam lá.

Durante o confinamento vi a minha família apenas por videochamada. Tive sorte de poder ver os meus avós, devido ao meu primo que ficou com eles, devido aos pais.

Ver a nossa família e saber, acima de tudo, que estão bem e de saúde é das coisas mais gratificantes. É necessário agradecer por isto e ter a consciência, de que termos saúde é sermos ricos, privilegiados!

A distância magoa, deixa saudades, mas se estivéssemos doentes ou se estivéssemos na linha da frente, a combater contra algo invisível e destruidor, seria muito pior!

Dicas para este novo confinamento?

Pratiquem exercício físico, meditem, façam yoga com amigos, aproveitem para fazer uma maratona de filmes e séries aos fins de semana. Leiam muito. Conversem com os vossos sempre que puderem. Sejam gratos e tomem cuidados. Não devemos desleixar-nos em ocasião alguma.

A luta continua. Respeitem as medidas, os profissionais de saúde. Os meus tios continuam a estar longe do filho, pois estão na linha da frente. Eles também têm saudades, mas estão lá, por todos nós. Eles também estão fartos, saturados, porém, continuam a dar o máximo. Respeitem.

Por aqui estamos em teletrabalho e por aí?

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