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Reflexão

– Pensamento positivo! – ouvi do mar.

Perspetivas.

Olhamos de frente e parece assustador, contornamos e o medo dissipa com o círculo que fazemos em seu redor. Porquê que não mudamos tantas vezes a perspetiva? Atiro a primeira pedra e acerta-me em cheio na testa. Preferimos lamentar o que perdemos e esquecemos que para perder é porque algum dia já nos pertenceu, já foi fonte de coisas boas e felicidade. O copo que está quase vazio, mas porque não pensar que já faltou mais para estar cheio. Porque perdemos energia no que ainda não veio, no que já se foi e nos esquecemos de aproveitar o agora.

A única coisa que temos como garantida: este preciso instante. É este de agora. Somos caçadores de tantas coisas bonitas, de sonhos, de realizações de sonhos, de memórias, de pessoas mas acima de tudo de instantes. São os instantes somados que formam a vida, que se refletem em momentos inesquecíveis, com pessoas que ultrapassam o tempo e o espaço. Então, porque não olhamos para as coisas boas da vida e gastamos energias nas coisas mais tristes? Essas coisas tristes também podem virar piada, outras viram cicatriz e outras precisam mesmo de ficar ferida aberta porque são elas que não tornam serem humanos. Porque não passamos disso mesmo, humanos.

Carne, osso e fragilidade, sentimentos, emoções e outras tantas coisas que rimam com estas. Acreditamos que somos gigantes, donos disto tudo, do mundo, do tempo, tanto que até inventamos relógios, mas quem somos nós para limitar o tempo numa pequena invenção que gira em torno de si mesma? Quem somos nós para nos acharmos grandes num mundo que, num estalar de dedos, se transforma em finos grãos de areia que nos fogem por entre os dedos. Nós somos esses seres meio parvos, meio humanos que ficam a ver a areia cair e ainda tentam guardar a praia num frasco.

Mas essa pequeneza não nos deve diminuir, mas tornar cada vez maiores e melhores e mais e mais. Quantos mais sonhos carregamos na algibeira mais felizes vamos ser, o limite está no sonho e no fim de um vêm outros tantos. E todos os sonhos cabem nas pequenas coisas, num acordar, num abraço ou numa pessoa ou em tantas outras pessoas. Perdemos o foco quando perdemos algo. Desfocamos da chuva porque queremos o sol. Desfocamos dos outros quando perdemos um só pessoa. Porém, faz parte aceitar cada instante, cada fase, cada maré. As coisas boas da vida vêm e vão, assim como as más (pensamento positivo).

Hoje o mar pode não estar com as ondas da Nazaré, mas senta-te um pouco e tira proveito da canção do mar. Afinal de contas, já chegaste até ao areal e estás perante um incrível concerto (ou conserto de ti).

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