Reflexão Textos

Se semeias medo, colhe coragem em ti.

É preciso ter medo. É o medo que nos traz as borboletas na barriga, que nos faz ir tantas vezes. O medo de não conquistar nada porque não fomos, o medo de ficar estagnado a ver os comboios a passar. O medo de questionar todo o dia o que podia ter sido e não foi.

E é por isso que eu não tenho medo de ter medo. Porque apesar de ter em mim todos os medos do mundo, inseguranças e desconfianças é a elas que me agarro quando quero ir. Porque mais medo do que me magoar ou perder, tenho medo de não tentar. Tenho medo de olhar para trás e ver a mesma estação, a paragem de sempre, com a música que ouço diariamente.

Agarramo-nos ao costume, ao hábito, ao conforto. Ouvimos a mesma música no meio da multidão, aos berros nos fones, porque nos sentimos confortáveis. Vestimos a mesma combinação de roupa vezes sem conta porque sabemos que resulta. Vamos ao mesmo café todas as manhãs porque já virou rotina. Vamos pelo mesmo caminho para casa com medo de nos perdermos, sair da linha. Mas a vida não se faz no costume, no que está programado. A vida não tem programa de festa. É uma festa surpresa. Chega, arrebenta os balões e surpreende. Às vezes traz confetis, outras balões furados.

É fora da linha que aprendemos a viver. É fora da caixa. Fora do armário que por vontade própria tantas vezes nos guardamos. Sim, somos nós que nos guardamos, porque só conhecemos a nossa dor e acreditamos piamente que é a única dor que existe. Mas fala, ouve e observa. As dores são universais, as lágrimas, as falhas e as derrotas. Todas as pessoas que tentam e que vão a jogo têm sempre dois finais ou perdem ou ganham e até quando empatam perdem pontos. A vida não é um planeta é o universo todo. Olha da tua janela e vais ver parte da vida, mas deslimita-te (e esta palavra nem existe) mas inventei para a minha vida. Porque passei a vida toda a limitar-me: porque só podia vestir ou desportivo ou casual como se não houvesse dias de chuva, porque gostava de rapazes ou de raparigas como se não fosse possível gostar de pessoas, porque só era eu ou outra versão de mim. Eu sou uma imensidão de versões e todas elas carregam medos, numas tenho mais medo de ir outras mais medo do escuro. Mas em todas as versões há um medo comum, o medo de não ter medo. Porque é no medo que me torno a melhor versão de mim.

Por isso, quando o medo chegar abraça-o e diz-lhe que vão juntos. E assim fica tudo certo. Porque a coragem é a flor que brota do medo.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *