Textos

Para: 𝑂𝑠 𝑚𝑒𝑢𝑠 𝑎𝑚𝑜𝑟𝑒𝑠,

Queridos amores, 

Hoje decidi escrever uma carta de amores, a todos aqueles que têm um tapetinho na minha casa. Uma gaveta no meu coração. Muitas delas são complicadas de fechar com a quantidades de coisas boas, momentos, crescimentos e tantas outras coisinhas pequenas que se tornam gigantes. E agora, que a saudades parece que chega todas as noites à mesma hora, com pés de lã e me consome num abraço, decidi que há palavras que merecem ser ditas em dias de pouco vento.

Sempre fui adepta da vida que corre nos meus pés, relógios acelerados e em falta de muito tempo livre. Fui a que me meti em mil coisas e coisinhas. Tantas vezes perdi momentos ou não os aproveitei como devida de ser. Mas outras tantas vezes dei o litro, fui a correr, dormi menos umas horas e tirei mais um café e uma hora de amor. Não sou adepta de abraços, nem de chegadas triunfantes. Mas há certos abraços, certos carinhos, certas palavras e certas pessoas que nomeei como minha playlist, meu porto seguro, meus abraços-casa. Essas pessoas nem sempre ficaram, algumas já as vi partir e mesmo assim não as consigo retirar da lista. Há pessoas que ficam mesmo sem estar e que chegam sem cumprimentar. Afinal de contas, há pessoas que nunca vão a lado nenhum.

Alguns cafés bebemos a correr, outros tantos ficaram para amanhã e alguns adiamos para um dia, “quem sabe”. As mensagens que ficaram por escrever entre horas de sono, e as chamadas que se esquecem entre as mil reuniões zoom. Mas o amor está nas pequenas coisas: num ‘bom dia’ sem jeito, num ‘vamos?’ fora de horas, numa surpresa ‘e abre a porta’, numa chamada e ‘queria saber de ti’ ou naquela mensagem que nunca chega tarde e que apenas diz ‘adoro-te’. Mas não tem validade, não tem horas, não tem obrigações. Aprendi que tudo o que é bom, não nos é imposto. E amores e flores são dádivas da vida.

E, como em todas as cartas de amor, vim espelhar saudade, bagunçar a carta de lamechices, salpicar de lágrimas fugidas e em toda ela esboçar um sorriso. Porque afinal, amar é sorrir mesmo quando não nos apercebemos. É como o sol, que existe sempre atrás de um dia chuvoso. Vim dizer que a saudade está quase a chegar e hoje vou recebê-la de braços abertos, vamos abrir uma garrafa de rosé e rir muito. Folhear todas as fotografias, rir daquelas noites que tanto nos divertimos, nos encontros e reencontros da vida. Rir de quando dávamos voltas à escola, dos festivais que vivenciamos, das noites quentes de verão, das panquecas de nutella que ficaram por comer, de todos os brunches e lanches que rimos, choramos e não nos calamos um segundo, do pôr-do-sol, dos pequenos-almoços e de todos os regressos a casa. Vou rir muito, chorar ainda mais, mas no fim resta dizer: obrigada. Obrigada a todos os meus amores e a ti, saudade, que se não fosse saudade não lembrava mais.

Com amor e na primeira pessoa, para quem sabe quem é ♡︎

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