Reflexão

A melhor versão de cada um de nós.

Pergunto-me muitas vezes porque escrevo? Porque chego a casa e fico apenas de caneta na mão a observar o vazio das linhas, mas que tanto me dizem. Essas linhas que carregam os meus sonhos, os meus porquês, os meus motivos e os destinos das viagens que quero viver. São essas linhas, que entortam como o movimento das palavras que me fazem lembrar o porquê de eu escrever em papel.

Em papel não existe nada que não deixe marca, assim como eu me sinto. Podes apagar, riscar, passar corretor ou até rasgar, mas repara, nunca nada deixa de deixar a sua marca. E não passa isso de uma falha? Então porque temos tanto medo das nossas falhas, se elas são marcas? Se escrevo mal eu risco, assumo que escrevi mal e não posso apagar esse meu erro. Tal como nós, seres humanos de carne e osso. Damos passos em frente, erramos, falhamos tantas e tantas vezes, mas é isso que nos faz aprender e avançar. Avançar na linha, avançar para a página seguinte. Mas lá está ela, a nossa falha.

Tantas vezes queremos esquecer o nosso passado, aquele momento em que batemos no fundo do poço, que nem sabemos muito bem como aqui chegamos. Mas já olhaste para o teu lado e te questionaste se a pessoa ao teu lado não sente o mesmo? Então porque te achas inferior a alguém? Todos nós temos falhas, somos cadernos em que as lágrimas deixam marca, as gotas de café, folhas que queimam com o sol, folhas que o vento rasga e que o tempo consome. Mas somos a nossa história, a nossa melhor versão.

E porque escrevo? Porque preciso, porque de certa forma preciso de esvaziar a minha mente, ouvir-me lendo-me, esperando que a linha termine, que a folha acabe e que venha a próxima. Preciso de riscar-me e arriscar-me, enquanto me arrisco. Preciso de avançar em cada entrelinha. E porque acredito que todos temos algo a dizer, mesmo quando o dizemos pelas palavras de outro alguém, num texto que eu própria escrevi, quem sabe. Porque cada palavra pode mudar o dia de alguém, abraçar, mudar um rumo, reconfortar e se há coisa que todos deveríamos querer ser? Melhores pessoas e acima de tudo, a melhor versão de nós mesmos.

Por isso eu escrevo, e quando esse não for o único motivo no mundo para eu escrever, queimemos este caderno e até no pó das cinzas deixarei a minha marca, pinky.

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