Reflexão Textos

Lugar de mil ninguéns.

Um lugar. Mil pessoas. 24 horas por dia. As pessoas vêm e vão, o lugar fica. Ouvem-se mil histórias de quem já por lá ficou, os encontros que correrem bem e mal, os lugares que são personificação de pessoas, os que dizem que se sentem bem aqui. Não será apenas um lugar?

Existem lugares que nos mudam a vida. Lugares para onde corremos quando as coisas dão para o torto. Lugares que nos abrandam, nos acalmam e nos abraçam de certa maneira. Lugares que nos levam a viajar no tempo e aqueles que nos levam a planear os nossos maiores sonhos. Não passam de lugares que nos deixam ser quem precisamos ser. Nós não temos uma casa, temos tantas quantas nos sentirmos bem. Tenho a minha casa numa praia, num abraço, num rochedo, num quarto de hotel, num jardim, num emprego e num momento, tantas e tantas vezes. Lugares desconhecidos que se tornam lugares eternos e outros que nunca mais voltamos pelo mesmo motivo.

Mas quantas vidas, tristezas e alegrias cabem num mesmo lugar? Penso que quando chamo lugar e não local, ganha uma certa morada, um tratamento por “tu” e não apenas mais um. Eu aqui a viver a minha história, de cerveja na mão, a ouvir a música das gaivotas com o rio. E tu, tu e mais não sei quantas pessoas que perdi, a viver o momento, de outra maneira distinta da minha, todos no mesmo lugar.

E no fim do dia, a par com o sol no mar, todos pegamos nas nossas coisas, expulsos pela noite que esfria, o estômago que pede jantar e o tempo que escasseia. E lá vamos nós, com a promessa de voltarmos no dia seguinte, quando só voltaremos no próximo mês, assim que tivermos um tempo meio livre. Mas o lugar não ficará despido de ninguém, amanhã novos ninguéns voltarão a ocupar cada recanto deste lugar, que hoje foi a minha casa e amanhã será de outro alguém. Mas agora, vai descansar que o sol e a lua precisam namorar.

A magia dos lugares é serem de várias pessoas e permanecerem vazios.

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